quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Milestone: 6 anos no Canadá (um brasileiro que virou canadense)



E lá se foram 6 anos! Já é mais do que o período que passei na faculdade (que eu achava não acabar nunca).

Saímos de São Paulo rumo à Toronto com a passagem de ida somente. Ainda lembro a correria para fecharmos as malas com peso distribuído entre elas, imprimir os documentos para a imigração, fechar as caixas com as coisas que deixamos para trás, conferir inúmeras vezes os passaportes e os vôos, e repetir várias vezes para mim mesmo “se não der certo, eu volto”.

O primeiro ano definitivamente foi muito difícil e sou grato por ter passado pelas dificuldades. Elas ajudaram na adaptação e me fizeram mais forte. Os anos subsequentes também não foram fáceis, porém aos poucos as peças foram se encaixando.
Hoje sou pai, brasileiro com muito orgulho e canadense. Olho para os obstáculos do passado com certo alívio e orgulho por tê-los superado. A grande barreira do idioma, a adaptação ao clima, a distância dos amigos e da família, a busca do emprego, a casa própria, etc. agora fazem parte da história e aprendizado.

Grandes decisões sempre carregam consequências.

Não abro mão das minhas raízes, da minha memória, da minha brasilidade. Falo com muito orgulho que sou brasileiro, falo com muito orgulho do meu país. Recentemente me tornei canadense e aos poucos também vou alimentando o orgulho de ser canadense. Fico feliz em poder ser os dois.

Tenho grande responsabilidade em transmitir para a minha filha Amanda os valores que me foram ensinados. Valores transcendem quaisquer barreiras geográficas.

Nesses 6 anos muita coisa mudou. Eu mudei. Acho que a desaceleração da rotina do dia-a-dia permitiu que eu fizesse um auto-conhecimento. Sinto que aos poucos fui me desapegando ao consumismo (claro que ainda compro coisas, mas em menor escala), dando mais valor ao tempo pessoal do que na carreira, valorizado minha qualidade de vida, e conhecendo meu lado emocional.

Hoje qualidade de vida significa segurança, comodidade, tempo livre, viver mais simples.

Nos últimos 3 anos a mudança foi ainda maior com a chegada da Amanda. Aprendi a ser pai. Pessoalmente acho que sou um bom pai e sinto que é o melhor de mim. Não sou perfeito e sei que erro como pai também. Enquanto os acertos são maiores que os erros, ou enquanto os erros se transformam em aprendizado, considero um sinal positivo.

Nos últimos 2 anos tive de aprender a conviver ou superar a depressão. Sim, ela veio e foram algumas batalhas. É ilógico.

A vida virou rotina. Trabalho durante a semana, tenho ótimas perspectivas na carreira, aguardo o final de semana para aproveitar o tempo com a Amanda ou passear ou fazer as tarefas de casa ou compras, às vezes preciso resolver questões de banco ou operadora de TV/Internet, às vezes conto piada em inglês mesmo, às vezes fico sem entender uma piada, às vezes preciso reclamar, procuro fazer exercícios, procuro controlar a alimentação e peso, às vezes viajo, às vezes tiro fotos, às vezes fico doente e assim por diante. Seria diferente no Brasil?

Se alguém perguntar quando eu volto para o Brasil, ainda não saberei responder.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Alô, miau, testando, 1, 2, 3...

Finalmente!
Descobri a senha do meu dono. A casa vai cair!
Quem mandou deixar o computador ligado de madrugada? Tá lá dormindo, roncando e achando que eu ia ficar lá no pé dele a noite toda... ahahahha
Meu, digitar nessas teclas minúsculas não é fácil.. mesmo para um ser evoluído como eu
Ah, esses humanos... precisam complicar mesmo né?

Cansei! Vou desabafar... e vai que alguém em algum lugar no mundo pega o recado
Já faz um tempo que descobriram que nós conseguimos nos comunicar... Alguém descobriu o diário de um colega por aí e resolveu fazer piadinha, mas o assunto é sério

Olha só: http://www.oversodoinverso.com.br/diario-de-um-cao-x-diario-de-um-gato/

Aqui na minha casa não é muito diferente...

Todo o santo dia logo pela manhã, quando estou pegando no sono... toca o despertador (maldito) e meu dono vira de um lado e de outro e quase me derruba. Ai que ódio! Outro dia fingi que estava caindo só para fincar as garras na perna dele. Aprendeu? Claro que não!

Daí ele enrola um pouco como de costume e vai acordar a A-M-A-N-D-A (isso, guardem esse nome). De vez em quando rola um "Bom Dia Gia". Eu disse "de vez em quando". Esqueceu a boa educação?

A pirralha dorme prá caramba! Como consegue? Dorme a noite toda e vira, desvira, tosse, chupa o dedo e não acorda! Melhor assim... pois a casa fica tranquila para eu aprontar de noite. Depois conto mais um pouco sobre o que eu faço na madruga.

Meu dono vai esquentar lavar a escova de dentes e molhar uns algodões para passar no rosto da A-M-A-N-D-A e fazer o ritual da manhã. O cara não cansa! Todos os dias a mesma coisa.

Tem vezes que eu quero chamar a atenção e tento passar na frente dele para ver se ele tropeça. Nas primeiras vezes me dei mal e levei um chute de leve no rim. Agora pego distância e vou até a porta de entrada e saio correndo mirando a perna. O cara pensa que estou brincando e acabo batendo na persiana sem querer. Será que ele não percebe que é de propósito? Bem, qualquer dia ele cai no chão.

Depois volta para esquentar a mamadeira.

Aí é batata. Pega as roupas e vai tomar banho. Nesse momento preciso ficar esperta, pois se estou com vontade de fazer um xixi da manhã, preciso entrar no banheiro antes, caso contrário é porta na cara e eu fico com a bexiga explodindo.

Depois disso é aquele corre-corre até que todos saem de casa. Ufa, que alívio! A casa só minha. Bem que poderia ter um gatinho para dar uns amassos ahahahaha. Se bem que eu só me apaixonei uma vez quando eu era uma gatinha bebê... daí perdi o interesse.

Tenho sono leve e durante o dia tiro uns cochilos, mas a saída de ar fica ligando e desligando e aí é que eu não durmo. Caceta viu!

Ah, tem vezes que de manhã meu dono abre a porta da varanda. Frio da p&$a! Fico lá firme e forte para mostrar que sou macho! Ops, sou fêmea, mas aguento firme. Sabe como é... fico enchendo o saco para ir lá fora tomar um ar fresco e coçar minhas costas, daí quando vem o vento gelado não posso desistir... e preciso ficar pelo menos uns 2 minutos, certo?

Opa... deixa eu parar por aqui, pois ouvi um barulho

fui

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Milestone: 5 anos no Canadá


Convido você a parar por alguns minutos e pensar na quantidade de coisas que fazemos ou deixamos de fazer em 5 anos. Esse é o exercício que fiz para escrever esse post e vou tentar resumir o máximo possível.

Por exemplo, em 5 anos eu me formei na faculdade e fiz muitas amizades e aprendi uma coisa ou outra (hehehe). Em 5 anos dá para subir 1 ou 2 posições na carreira (não a minha). Em 5 anos uma criança já começa a se aventurar nos livros.

Desnecessário dizer o que aconteceu há 5 anos em relação a mudança para o Canadá, pois provavelmente se encontra em diversos posts. Talvez seja mais relevante tentar descrever o que eu observo quando olho para tras e tento ver meus passos no horizonte de 5 anos.

Ano I:ADAPTAÇÃO

Era o meio do primeiro Inverno, alugamos um quarto, colocamos todas as nossas malas e tudo parecia “mágico”. Sem carro, sem emprego, sem muitos pertences pessoais. Tudo estava indo de acordo com o plano (ótimo para mim).
Acertei em querer quebrar o sentimento de “turista” e criar uma rotina para mim. Isso me ajudou muito na adaptação e as aulas de inglês foram muito úteis também.
Muita documentação para acertar.
Busca de emprego praticamente do zero. Muito difícil por conta da língua e menos por conta da bagagem profissional que eu trazia e que me dava confiança em querer continuar na mesma área de atuação.
Primeiro emprego me deu uma impressão distorcida do ambiente de trabalho que eu imaginava, mas acabou sendo um aprendizado.
Mudança para um apartamento (aluguel) e a boa localização ajudou muito na adaptação também.
Conhecemos várias pessoas e muitas delas com histórias parecidas.
Primeiras visitas para podermos mostrar que estamos estabelecidos.
Algumas pessoas ajudam e outras não. E isso inclui brasileiros ou não. Isso é a vida. Bobagem pensar que brasileiro sempre ajuda brasileiro numa situação dessa.
Longos meses tentando conseguir um emprego, fazendo várias entrevistas e estudando mais inglês.
Visita ao Brasil foi boa para sabermos que daqui em diante sempre será corrido. Acabei fazendo muitas comparações desnecessárias.
Lugares, contas para pagar, comidas, distância fazem parte da adaptação.

Ano II: ESTABELECIMENTO PROFISSIONAL

Emprego novo na minha área de conforto. Ótima oportunidade para desenvolver e botar pra quebrar.
Vários planos para estudar, aprender, crescer.
Amizades vão mudando aos poucos.
Crescimento pessoal. Aprendi que sou responsável pelas decisões que tomo.
Mudança novamente. Agora para a casa própria.
Conhecemos a famosa “mortgage” (financiamento imobiliário) e com ela novas contas para pagar.
É bom viajar e é bom gastar, mas já não tem muita coisa com que gastar. Sinal de que a mentalidade começa a mudar.
Já temos alguns lugares favoritos para ir, restaurantes, tipo de comida.

Ano III: GRAVIDEZ

Todo foco na gravidez. Mês a mês.
Muita coisa para aprender e aos poucos meu lado “pai” vai sendo moldado. De repente ele sempre esteve comigo.
Coincidentemente havia mais 2 grávidas na família e a gente acompanha a evolução a distância.
Primeiro vem o João Victor, depois a Mariana e então chega o momento da Amanda. Parto normal.
Toda a prioridade muda. Carreira, novos cursos, video game, Blog, Krav Maga, viagens, etc. ficam em segundo, terceiro planos.
Sinto financeiramente abalado com as contas que tem pela frente. Day Care em Downtown é concorrido e caro. Mortgage, contas da casa. Preciso de um aumento.
A empresa é comprada por outra empresa e sinto o momento de instabilidade. Hora de procurar outro lugar. Tenho uma filha para criar.
A oportunidade não demora muito a aparecer. Vou bem na entrevista e decido mudar de indústria. Mesma área, mais ou menos as mesmas responsabilidades. Salário melhor apesar de não ser Full Time. Encaro.
Havia chances de ser efetivado em 2 anos e daí “mamar” no governo.

Ano IV: REORGANIZANDO A VIDA

Engano meu.
Empresa pública não é para mim. Projetos sem prazo e sem preocupação com gastos me incomodam.
Tentei. Engoli muitos sapos.
Descobri que o estilo de liderança é muito significativo para minha produtividade.
Em casa tinha a alegria de re-encontrar minha filha e ao mesmo tempo toda a responsabilidade por trás.
Sentia que algo não ia bem comigo, com minha cabeça. Meu ânimo já tinha sumido.
Tinha saudades da família e amigos. Queria poder conversar.
Comecei a fazer terapia.
Foi ótimo. Entendi um pouco mais de mim mesmo.
Estava caminhando para a “perda do eu”. Precisava parar um pouco e de certa forma ser mais egoísta.
Precisava mesmo era mudar de emprego. Produzir.
Demorou, mas apareceu a oportunidade no final do ano. Bem quando meu contrato de 1 ano tinha sido renovado.
O final do ano foi um dos mais complicados. Amanda doente com um vírus RSV, internada por 10 dias. Muito muito frio.
Chorei quando precisou colocar soro na veia. Alguns dias fiquei como um zumbi, acordando de madrugada para acompanhar a enfermeira. Media o nível de oxigênio dia e noite.
Mudei meu conceito sobre o sistema de saúde por aqui. Você pode ter de esperar atendimento por horas e até mesmo ficar doente enquanto espera, mas nunca, nunca há negligência por falta de informação ou atendimento correto. Claro, algumas coisas ainda são questionáveis.

Ano V: CHECKPOINT

Novo emprego finalmente. De volta ao setor bancário.
Mais trabalho pela frente, salário menor, mais feliz.
O estilo de liderança faz muita diferença.
Altos e baixos na família.
Amanda melhor e crescendo rápido.
Ainda tudo gira em torno dela. Agora é escola. Ela se destaca. As professoras acham que ela é muito inteligente. Fico orgulhoso.
Ainda faço poucas coisas para mim. Voltei a pensar no meu projeto pessoal. Isso me deu um impulso para querer aprender mais e fazer acontecer.
Hora de começar a pensar no futuro da Amanda. Mudar de casa por conta de melhores escolas? Talvez.
Sinto-me em casa no Canadá.
Muito mais confortável com a língua, costumes, hábitos. Sei que mudei o modo de agir, pensar, ser. Acho que a vida é mais simples e com mais qualidade. Gasto melhor e me preocupo com coisas diferentes.
O clima é uma pequena preocupação.
Sinto que há mais opções de lazer acessíveis a todos. Mesmo no frio.
Se no primeiro ano começamos a sonhar em inglês, hoje eu digo que consigo até dar risada em inglês.
Não acredito em generalizações. Não há esteriótipos de brasileiros e de canadenses.
Algumas pessoas me pedem dicas. Não consigo dar muitas não. Há diferentes caminhos em um único lugar. Cada um acaba traçando o seu.


Daqui pra frente eu não sei. Minha zona de conforto também é aqui.

domingo, 9 de março de 2014

Cidadania Canadense


Não nasci no Canadá, mas em breve espero me tornar um cidadão canadense e carregar a dupla cidadania: brasileira e canadense.

Funciona assim (no meu caso):
Aplicamos para processo de imigração canadense pela categoria "Skilled Worker" (mão-de-obra qualificada) e com isso conseguimos o visto de permanência chamado "PR" (permanent resident).

O PR tem validade de 5 anos e pode ser renovado. Além do período de "landing" (pisar em terras canadenses), temos de comprovar pelo menos 3 anos de residência no Canadá. O que faz sentido para mim, pois depois de toda a papelada e demora para obter o visto de imigrante, espera-se que a pessoa venha para o Canadá, certo?

Bom, após 3 anos no Canadá (descontando todo o tempo passado fora do país tanto a trabalho quanto a lazer), podemos aplicar para o processo de cidadania.

A documentação necessária e o tempo são bem mais razoáveis...

Está tudo bem explicado no site: http://www.cic.gc.ca/english/citizenship/become.asp

Mandamos os formulários, comprovante de pagamento da taxa, várias cópias, etc. e esperamos...

Assim que eles recebem a papelada eles mandam uma carta com a apostila para estudar.

No meu caso ainda aconteceu o seguinte: recebi uma carta falando que eles estavam analisando a documentação e que eu precisava enviar mais documentos. Basicamente eu pedi para colocar meu nome completo no certificado "ROBINSON YAMAGUTI MATSUKUMA", mas eu não tenho nenhum documento canadense (carteira de motorista, PR, cartão de saúde) válido com o meu nome completo. Isso se deve a uma limitação no número de caracteres para solicitar o PR. Liguei na central e expliquei a situação... o cara falou que eu tinha duas opções: truncar meu nome no certificado para ficar igual aos documentos canadenses ou entrar com uma ação judicial pedindo para alterar meu nome legalmente (detalhe, teria o mesmo problema de truncamento visto que o sistema ainda seria o mesmo... mas quem disse que o cara entendeu?). Ainda tentei convencer de que eu tinha documentos brasileiros comprovando e que o problema foi técnico (limitação do campo Nome)... não adiantou. A solução foi mandar uma carta de próprio punho pedindo para retificar a solicitação e abreviar meu nome. Vamos ver...

O próximo passo é fazer uma prova de conhecimentos gerais (geografia, história e política) canadense e uma entrevista em inglês (ou francês). A expectativa é de que o processo leve um pouco mais de 1 ano. Para nossa surpresa recebemos a cartinha informando a data e local da prova em menos de 1 ano... e quem disse que a gente tinha lido a apostila? Pois é...   tivemos menos de 2 semanas para estudar.

Quem me conhece sabe que sou péssimo em geografia, história... e muito melhor com números (não com datas históricas).

Aqui vai a lista de sites com simulados para estudar:
http://www.apnatoronto.com/
http://www.v-soul.com/
http://www.yourlibrary.ca/citizenship/
http://www.toptipsclub.com/Citizenship_test_index.asp
http://www.citizenshiptest-canada.com/
http://citizenshipcounts.ca/quiz
https://itunes.apple.com/ca/app/canadian-citizenship-test/id531010394?mt=8

Amanhã é o dia da prova e entrevista. Estou um pouco nervoso apesar de quem já fez ter dito que é bem tranquila. Serão 20 questões de múltipla escolha (4 alternativas).

Engraçado é que antes de virmos para o Canadá a gente já sabia do processo de cidadania e tínhamos isso como objetivo. E naquela época meu temor era mais com a entrevista em inglês com o oficial da imigração, pois eu achava que estudar estava mais sob meu controle. Hoje já penso diferente... apesar do nervosismo, o inglês não vai ser o mesmo monstro de antes.

Se passar, a gente recebe uma convocação (acho que demora 1 mês) para o juramento de lealdade à rainha e compromisso como cidadão canadense. E daí serei um novo canadense... assim como a Amanda.

A relação Brasil-Canadá permite a dupla cidadania. Isso é muito bom, pois não sei como seria se tivesse de escolher entre um ou outro...
Sei que os chineses que imigram para cá precisam escolher e uma das dificuldades é que toda vez quando eles querem viajar para a China é necessário retirar o visto de turista...

bora estudar

[]s

sábado, 25 de janeiro de 2014

Parabéns São Paulo


Sou PAULISTANO e filho da cidade de concreto. Nasci no Hospital e Maternidade 9 de Julho. Cresci no asfalto quente dos dias de verão, em meio ao trânsito, poluição sonora, entre prédios cobrindo o céu muitas vezes acinzentado e algumas vezes azulado, em meio a chuvas e alagamentos, comendo comida de rua e passeando em shopping centers.

Amo a cidade de São Paulo e sempre será minha cidade natal.

Encho o peito quando alguém aqui me pergunta sobre São Paulo e falo com muito orgulho que nasci, cresci, estudei, trabalhei em São Paulo e que apesar de ter vivido por mais de 30 anos na cidade eu não conheço a cidade toda. Tento montar uma imagem de cidade grande, um pouco de caos, helicópteros cortando o céu, motos entrelaçando os carros, buzina, pessoas se esbarrando, correria, percepção de cidade que não para nem por um segundo, mas para por um bom cafezinho.

Morei no bairro da Saúde e depois no Cambuci. Trabalhei em várias empresas e diferentes lugares (muitas vezes visitando clientes) o que me deu certa "fluência" em transitar por bairros que até então não tinham sido tão explorados.

Se eu tivesse marcado todos os lugares por onde passei, comi, me diverti, fui assaltado, etc com um "O ROBINSON ESTEVE AQUI" talvez eu escutaria algumas pessoas falando "pô Robinson, você deveria ir em tal lugar, você não conhece o melhor de São Paulo" e isso é ótimo!

Memórias, memórias e memórias. Enquanto a cidade envelhecia e se renovava eu também seguia o meu caminho. Crescemos juntos. São Paulo determinou meu ritmo e eu quis correr junto.

Parabéns São Paulo! A gente se vê!

[]s

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Milestone: 4 anos


No dia 21 de Janeiro de 2010 eu e a Claudia deixamos nosso apartamento número 13C no Cambuci com ainda algumas coisas dentro, fechamos a porta, demos as chaves para o meu sogro e partimos rumo ao Aeroporto Internacional de São Paulo com as malas e mochilas cheias, e muitos sonhos e expectativas também. Medos, incertezas, saudades, e um frio canadense na barriga também nos acompanharam.
Saímos de São Paulo, paramos no Rio de Janeiro (e tivemos alguns probleminhas com informações desencontradas sobre área de embarque e tal) e de lá fomos para Nova Iorque. Chegamos em NY no dia 22 de Janeiro pela manhã e esperamos pelo nosso vôo “local” para Toronto. Lembro-me muito bem da nossa chegada em Toronto. Fomos muito bem recebidos e fiquei com um sentimento bom do país que escolhemos para morar.

Após preenchermos alguns papéis e recebermos algumas informações (“kit imigrante”) fomos esperar o Márcio que ficou de nos pegar no aeroporto. E lá fomos para a The Esplanade St no apartamento do Otávio no qual alugamos um quarto por um mês.

Bom, essa história eu já devo ter contado em outros posts. Hoje é dia de comemorar os 4 anos de Canadá.
Como eu sempre digo, cada um tem a sua própria experiência e percepção sobre o lugar em que vivem. Eu vou tentar contar nesse post sob minha perspectiva como se alguém viesse para mim e perguntasse como é a vida de Imigrante após 4 anos, ou quais dicas eu daria após 4 anos para quem quiser vir para cá.

O começo é complicado e estranho. Não me arrependo do fato de ter escolhido vir no Inverno, porém essa época do ano pode tornar as coisas um pouco mais complicadas. Por exemplo, os dias são mais curtos e pode causar uma depressão maior, algumas coisas são mais difíceis de se resolver sem ter um carro e não conhecer bem os transportes públicos, procurar imóveis, decidir a questão de escola se vier estudar, lidar com saúde, etc.

Quebrar o sentimento de “turista” e começar uma rotina foram fator chave para mim. Tomei a decisão certa em começar a fazer LINC (inglês) assim que cheguei. Adorei e recomendo!

Morando em Downtown ajudou na questão logística e de transportes, pois conseguíamos fazer várias coisas a pé. E uma das primeiras coisas que fizemos foi contratar um plano de celular. Dessa forma, eu conseguia falar com a Claudia quando quisesse e também ajudou na busca de empregos.

Os chamados “cursos para arrumar emprego” não são tão efetivos, porém são válidos para ter alguma noção de como é o esquema de entrevista e preparar o currículo. Há muitas opções e com o tempo você vai aprendendo qual é melhor. Hoje não sei qual indicar.

Tomamos a decisão certa em abrir a conta do HSBC aqui em Toronto ainda quando estávamos no Brasil, pois chegamos aqui já com cartão de crédito, cheque e cartão de débito. Incrível como essas coisas fazem diferença para comprar algo financiado (carro por exemplo).

Os postos de serviços públicos acabam virando certa rotina assim que chegamos, pois precisamos fazer os documentos (SIN card, PR, cartão de saúde depois de um tempo, exame para carteira de motorista).

Meu certificado do PMI e um pouco o de Six Sigma abriram mais portas profissionais do que meus diplomas de faculdade. Pelo PMI eu consegui meu primeiro emprego e também um grande apoio da minha mentora no programa de Mentoring.

Naturalmente você começa a conhecer pessoas (brasileiros) que te apresentam a outras pessoas e você começa a ver diferentes estilos e afinidades. Há aqueles que moram em subúrbios (geralmente com filhos) e aqueles jovem casais que moram em Downtown. Os motivos que trazem as pessoas para cá sempre são parecidos – busca de algum lugar melhor para morar ou por causa de emprego. Muito poucos são os que têm parentes por perto.

Para os “novos” imigrantes a língua não parecia ser o maior dos obstáculos e eu me sentia o único que tinha esse problema. Hoje eu sei que não é verdade. Ter desenvoltura com o inglês é fundamental para “se virar” bem e nem todo mundo já chega com isso.

Hoje não consigo generalizar o tratamento dado pelo povo local. Há canadenses e canadenses. Há diferentes culturas que preservam parte de suas origens sim. Nitidamente você encontra grupos de chineses, indianos, filipinos, etc.

Hoje eu diria que o sistema de saúde é simplesmente diferente. Pior em alguns aspectos e melhor em outros. E tudo isso também depende do que se espera. Já tivemos experiências diversas com hospitais e saúde em geral. Médicos de família, walk-in clinic, pronto-socorro para nós e para a Amanda, Maternidade, médicos especialistas. O que eu posso dizer é que nunca houve negligência. Por vezes não ficamos satisfeitos com o atendimento ou atenção ou demora, mas o que resolve é rever as expectativas e entender as diferenças.

Segurança ainda é um fator importante e isso não tenho dúvidas de que sempre me senti mais seguro aqui. As notícias do Brasil não me abalam ao ponto de criar uma imagem negativa do país. Felizmente até agora viajei todo ano para o Brasil e pude sentir a realidade estando lá. Resumidamente fica cada vez mais complicado comparar o Canadá de hoje (dia-a-dia) com o Brasil de 4 anos atrás (minha realidade e verdadeira percepção do dia-a-dia no Brasil) – as coisas mudam, certo?

A distância do Canadá até o Brasil vai além da esfera geográfica. Filosoficamente falando, a percepção de distância varia bastante. Por exemplo, quando lemos alguma notícia boa ou ruim do Brasil eu me sinto mais próximo. No dia-a-dia, parece que estou me afastando... pois não tenho mais o convívio e não falo das mesmas coisas que acontecem na rotina. Chega uma hora em que a gente para de ficar comparando.

Os 4 anos daqui são os mesmos que os do Brasil. A diferença é o que você faz nesse tempo. Aqui também temos rotina e também temos problemas. Normal. Ultimamente meu tempo aqui me faz olhar para trás e não saber responder se fiz ou não uma boa escolha, e ao mesmo tempo me faz pensar que muita coisa boa aconteceu. Imaginando como teriam sido os 4 anos se eu estivesse no Brasil, acho que pouca coisa mudaria e por causa desse pensamento eu diria que a vida aqui tem sido mais simples.

Não sei explicar o que “mais simples” significa. Por exemplo, para mim significa poder trabalhar menos, gastar melhor, ter opções de lazer sem gastar, preocupar-se menos com política ou comprar mais e mais, usufruir de uma infra-estrutura planejada para o calor e para o frio, ver várias coisas funcionando ao redor, preocupar-se menos com o que os outros vão pensar ou falar, etc.

Não tive filho no Brasil para conseguir comparar com a experiência de ter filho aqui no Canadá. Observo meus sobrinhos e também não sou capaz de concluir ou construir um quadro comparativo. A ideia que eu tenho é de que consigo ter uma rotina, ter um tempo maior com a Amanda e mesmo assim ela ir para cama cedo. Muito se deve ao fato de eu conseguir sair cedo do serviço e trabalhar perto de casa. Imagino que se eu estivesse no Brasil a rotina não seria tão diferente – algo como, sair do trabalho, pegar trânsito, buscar a Amanda, jantar, passar um tempo juntos e colocar para dormir – porém, num nível de cansaço maior e indo dormir mais tarde.

Imagino que a criação da Amanda será diferente não somente pelo fato da língua, mas por outras circunstâncias. Por exemplo, acredito que alguns fatores vão “moldar” a personalidade da Amanda tais como – ausência de parentes por perto, avós, outros ciclos de amizade e cultura, falta de “brasilidade”, segurança, sistema de educação, diferentes opções de lazer, clima, tecnologias, etc.

Nunca senti preconceito nesses 4 anos. Sinto que cobrei muito de mim mesmo em questão de comunicação. De certa forma muita gente entende a dificuldade em trabalhar e viver em outra cultura e língua. Claro que tive vários problemas no começo por conta dessa dificuldade, pois para as empresas isso pode refletir em queda de qualidade profissional (comunicar-se bem com outras equipes).

No começo eu tentava resolver dificuldades do dia-a-dia sorrindo e muitas vezes assumia a culpa por mal entendimentos ou falhas de comunicação. A gente fica com a ideia de que todo mundo diz “Sorry” e que é gentil. Depois aprendemos que nem tudo é assim “nice” e as pessoas são todas bem educadas. Como eu disse, há canadenses e canadenses. Há aqueles que puxam o tapete, há aqueles que não são gentis, há aqueles que não dizem “sorry” por qualquer coisa. Não generalizo.

Acho que depois de um tempo a gente começa a aprender alguns “segredos” ou como as coisas funcionam ou viver a cultura local. Já temos uma ideia de como é buscar emprego, lugares para morar, educação, saúde, transporte, custo de vida, política, clima, esportes, problemas socio-políticos, dinheiro, amizades, etc.

Descobrimos lugares diferentes para ir, comer, comprar. O que é de qualidade e o que não é necessariamente. Marcas. Comidas. Lojas. Conseguimos fazer planos para o futuro. Conseguimos entender e visualizar melhor como as coisas são conversando com outras pessoas ou “nativos”.

Algumas perguntas ainda ficam sem respostas por mais que já tenha pensado várias vezes. Por exemplo, não sei o que responder se alguém perguntar se algum dia eu vou voltar para o Brasil. Não sei responder se alguém perguntar o que eu vou fazer se alguém próximo falecer. Não sei responder o que eu acho que vai acontecer se eu falecer aqui. Não sei responder se me arrependo de alguma coisa e se teria feito diferente. Não sei responder se indico o Canadá para qualquer pessoa que queira vir.

Claro que eu queria ter família e amigos por perto, mas tenho a certeza de que imigrar para cá não é para todo mundo.

Quando completamos 3 anos aplicamos para o processo de cidadania (algo que sonhávamos desde o começo) e talvez nesse 4º ano a gente se torne canadense (além de brasileiro). O que isso vai mudar na prática? Na parte burocrática mudam algumas coisas (por exemplo, possibilita termos o passaporte canadense), mas o sentimento vai ficar confuso. Ainda tenho raízes profundas brasileiras.

É isso aí... o tempo não para.

[]s

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013


Fiz esse video na pressa... faltou uma música de fundo, escolher melhores fotos, editá-las e apagar as duplicadas.

Retrospectiva 2013

Putz, isso vai ser muito difícil para mim, pois minha memória já não está mais como antigamente. Vamos ver o que sai.

Esse ano comecei a trabalhar em uma empresa nova e já estou de saída. Foi uma grande mudança na minha vida profissional, pois, apesar de ter sido contratado para fazer mais ou menos o que eu já venho fazendo há anos, eu mudei de indústria (área financeira para área de energia), mudei de permanente para temporário, mudei de setor privado para público, mudei o foco de Gerenciamento de Processos para Gerenciamento de Mudanças e Treinamento. Sim, trabalhei bem menos.

Tivemos algumas visitas. Minha mãe veio no começo do ano e conheceu a neve. Ela diz que gostou de ter vindo para refrescar a cuca e curtir a Amanda que na época tinha poucos meses de vida e pouco cabelo. Meu cunhado acabou passando na mesma época (minha irmã teve problemas com o visto e passaporte e não conseguiu vir). Meu outro cunhado, co-cunhada e filho vieram no verão e imagino que conseguiram curtir bastante. Fora eles, ainda encontramos o Sushi que preferiu se hospedar num albergue e um colega de colégio, o Shaolin, que veio a trabalho.

Fizemos alguns passeios (não conto como “viagem”) para Niagara e Kitchener (amiga da minha mãe) e viajamos para o Brasil (mega super corrido, mas conseguimos fazer várias coisas) basicamente para o casamento da minha irmã.

Apesar de me alimentar mal, não tive um ano tão sedentário. Caminhei quase todos os dias para o trabalho (e voltei andando também) que são um pouco mais de 3km o trajeto. Isso me rendeu uma tendinite no pé. Voltei a treinar Krav Magá e consegui alguns hematomas.

Comi muito menos KFC e asinhas de frango. Compramos uma actifry para fazer frituras mais saudáveis em casa. Cozinhamos muito para a Amanda. Comi Thai com mais frequência. Tomei muito mais café do Starbucks. Aprendi a gostar de chafé. Tomei chá também.

Voltei a jogar video game e li menos. Estudei menos. Porém, participei de mais webinars relacionados à minha área de trabalho.

Fui algumas vezes ao dentista para limpeza e poucas vezes ao médico. Fiquei 2 ou 3 vezes doente (gripe ou estômago) o que me fez faltar no serviço 1 ou 2 vezes. Confesso que faltei mais 1 ou 2 vezes por conta de entrevista.

Comprei mais roupa, pois precisava de camisas novas e tênis novo. Ainda preciso de mais gravatas para o serviço novo. Fizemos um upgrade nos nossos celulares e me arrependo de não ter pego um com mais memória.

Os gastos aumentaram com o Day Care e supermercado, porém acho que estamos gastando menos com supérfluos. Saímos algumas vezes para comer fora. Tivemos mais gastos com a Gia por conta de saúde ou stress. Pela primeira vez na vida fui ver um jogo de futebol no estádio (e jogo da seleção brasileira).
Tiramos várias fotos da Amanda e nem tanto de lugares. Conversei poucas vezes com minha família no Brasil pelo Skype e trocamos mais mensagems pelo Whatsapp.

Continuei deixando o cabelo crescer e confesso que estou ficando sem paciência, mas mantenho pela causa (vou doar para um instituto de câncer). Em breve vou cortá-lo. Perdi um pouquinho de peso, ganhei, perdi e no geral devo terminar o ano com o mesmo peso que comecei. Não usei relógio esse ano. Não ouvi muitas músicas novas. Não fui ao cinema, mas vi alguns filmes em casa... poucos.

Comecei um blog profissional e retomei um pouco o pessoal. Nada significante. Tive várias sessões de mentoring pelo Skype com a minha mentora que vive na Austrália. Acabou virando mais uma sessão de desabafo sobre os problemas no trabalho.

Comecei a fazer terapia, pois precisava entender meus “demônios”. Ok, não necessariamente demônios, mas coisas que estavam me deixando irriquieto. Acho que melhorei em alguns aspectos. Meus pais não estão muito bem. Passei alguns momentos de depressão.

Brinquei muito, mas muito mesmo com a Amanda. Sentamos e deitamos no chão juntos, carreguei ela, joguei para cima, fiz cócegas, troquei inúmeras fraldas, coloquei várias roupinhas lindas, levei e busquei várias vezes no Day Care, coloquei as meias na mão, cobri o rosto para dar susto, cantei e dancei, pulamos, coloquei sobre os ombros, joguei sobre as almofadas, dei bronquinhas, dei comida, lavei o rosto e mãos, acompanhei em todos os momentos no hospital, dei remédios, fiz inalação, abracei, apertei, mordi, dei banho, passei óleo e hidratante, escovei os dentes, passei fio dental, penteei os cabelos e mostrei no espelho, pulamos na cama e a fiz pular no berço, acompanhei quando engatinhou e deu os primeiros passos, li e reli livros de histórias, jogamos video game juntos, vimos fotos juntos, brincamos no parquinho, virei de ponta-cabeça, desenhamos juntos, montamos blocos, espalhamos tudo pela casa e guardamos tudo de volta, falamos as primeiras palavras juntos, ouvi muito “papai” e embalei para dormir, rimos muito!

Tive momentos de empolgação para lançar meu próprio negócio, mas ainda não deu certo e isso gerou grande frustração. Dei alguns conselhos e recebi outros. Doei muito pouco dinheiro. Não fiz trabalho voluntário.

“Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”

Adeus 2013.

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