quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

2018 será um ano ímpar!


Sobre 2017...

Que seja pelo fato de que a cada 7 anos nossa mente e corpo mudam ou pelo fato de que a vida começa aos 40, só sei que em 2017 (7 anos da minha vida aqui no Canadá) muitas coisas aconteceram.

Na vida profissional, apesar de não ter recebido a promoção que esperava, posso dizer que ganhei mais responsabilidade, ganhei mais respeito, influenciei mais pessoas, tomei mais decisões, mudei de escritório e ganhei um lugar ao lado da janela (faz uma certa diferença para mim), implantei soluções no país inteiro, trabalhei em estratégia, trabalhei em treinamento, amadureci.

Viajei menos do que eu gostaria, mas conheci lugares diferentes e incríveis. Comecei o Ano no Brasil, conheci Blue Mountain, fui pela segunda vez a San Francisco e vi uma cidade por um outro ângulo. Saí correndo pela cidade...

Por falar em corrida, esse ano corri 4 corridas de 10 km, 1 meia-maratona (21.1 km) e 1 corrida de 5 km. Corri bastante na rua. Conheci um pedaço da Belt line e me perdi algumas vezes no cemitério. Corri pela manhã, pela tarde, pela noite. Tive algumas lesões nos joelhos, no tendão de aquiles, nas costas... O corpo pediu para parar e assim foi por um bom tempo. Perdi 3 exames de faixa no Krav Magá e isso me deixou frustrado. Voltei aos poucos... mudei a forma de correr, fiz fisioterapia e voltei às corridas e ao treino de Krav. Depois de muito esforço eu consegui voltar ao meu tempo na corrida e consegui avançar de faixa.. e encostar no nível Avançado.

Talvez tenha perdido um pouco de peso e ganhado um pouco de massa muscular.. Eu me alimentei melhor, comi menos KFC, menos fritura.

Conheci meninas e não deu muito certo não. Aprendi que ser solteiro não é ser sozinho. Aproveitei o meu tempo sozinho para me re-inventar. Fiz uma auto-análise, listei as coisas no meu Ikigai. Mudei uma coisa aqui, outra ali e aos poucos fui chegando na versão 2.0. Já era hora de atualizar o firmware.

Dirigi menos, abandonei o carro. Andei mais a pé, de carro alugado de vez em quando e de uber. Devo ter bebido mais do que nos últimos anos e descobri que tudo bem beber para socializar assim como tudo bem falar não, por não curtir bebida.

Passei muito tempo com a Amanda, muito tempo mesmo. Fizemos coisas muito enriquecedoras e espero que tenha construído boas memórias. Viajamos juntos, fomos ao teatro, ao cinema, ao Medieval Times, ao Aquário, ao Ontario Science Centre, a Legoland, a parques, a piscina, a festas. Passamos bons tempos em casa também brincando de Robot Turtles, quebra-cabeça, Play-Doh, artes, desenhos, palavras, música, violão, TV, fazendo cookies, lendo livros, brincando na banheira, brincando na cama, etc.

Fiz novos amigos, demos risadas. Recebi amigos em casa, cozinhei para eles. Foi bom.

Vi pessoas próximas partirem..

Acho que fiz o bem, fui uma boa pessoa, um bom cidadão. Acho que fui honesto e justo com todos e comigo. Eu me senti mal das vezes em que “briguei” com a Amanda, mas sei que fiz isso pelo tanto que eu a amo. Quem ama educa, não é mesmo?

Sinto que 2018 será melhor. Sempre digo que o ano seguinte será um ano ímpar... e assim será.

domingo, 19 de novembro de 2017

8 dias em San Francisco com a Amanda

Essa foi a segunda vez que fui a San Francisco. A primeira vez foi em 2011 e fiquei apenas uns 4 dias. Dessa vez fui com a Amanda que está com 5 anos e ficamos 8 dias.

Vou tentar descrever o plano e uma espécie de diário..

Como eu tenho apenas 15 dias úteis de férias por ano, resolvi aproveitar essa oportunidade de combinar o feriado de Remembrance Day da 2a feira dia 13 de Novembro e o dia "off" do meu aniversário na 6a feira dia 17 de Novembro. Sendo assim, eu só usei 3 dias de férias e aproveitei basicamente 9 dias.

Pesquisei hotéis e AirBNB. AirBNB compensava mais financeiramente, porém em lugares um pouco mais afastados de Downtown. Comecei a procurar hotéis com piscina, pois imaginei que a Amanda iria curtir mais a piscina do hotel que ficar batendo perna subindo e descendo morros em SF.

Escolhi o Da Vinci Villa que fica na 2550 Van Ness Ave. Bem localizado e perto da Ghirardelli. Além disso, o café da manhã estava incluso... o que ajudou muito na logística logo pela manhã...

Tenho uma amiga que mora em SF e primeiramente verifiquei se haveria algum dia em que poderíamos nos encontrar. Pedi antecipadamente a agenda dela e infelizmente ela não poderia tirar um dia de folga durante a semana, ou seja, o encontro precisava ser no final de semana.

Daí comecei a pesquisar lugares para ir e comprei os tickets online. A dica é procurar por eventos acontecendo na época, feriados, shows, além de tradicionais lugares turísticos. Dessa vez não pensei em alugar um carro para ir para outros lugares mais distantes. Acredito que a Amanda não liga muito ainda e para ela o que importa é não cansar muito...

Esse foi o plano:

Day 1: 10 de Novembro (6a feira)
- Combinei com o meu chefe que eu iria trabalhar "light" de casa, respondendo emails e tal, porém terminando de arrumar as malas.
- Lavei as roupas da semana.
- Fui comprar snacks para a viagem e coisinhas que faltavam.
- Fui buscar a Amanda na escola na hora do almoço.
- Combinei com um amigo de amigo para nos levar ao aeroporto.
O vôo atrasou mais de uma hora para sair, pois o piloto informou que devido a fortes ventos a rota teve de ser alterada.. e precisava abastecer..
Chegamos no hotel tarde e cansados e mesmo assim pedimos comida... ou seja, fomos dormir bem tarde.

Link do Hotel:
http://www.davincivilla.com/?gclid=CjwKCAiA9MTQBRAREiwAzmytw74owRK2TTG_fctIiprLadC19wTweD0vN2timBXgJXQLixoNWaFAQhoCm9cQAvD_BwE

Day 2: 11 de Novembro (Memorial Day, Remembrance Day)
- Acordamos cedo (6h30).. e isso ajudou a entrarmos no novo fuso horário rapidamente
- Tomamos café e esperamos minha amiga chegar. Estava combinado às 11h... porém ela atrasou um pouco. Infelizmente isso atrapalhou um pouco, pois a Amanda geralmente almoça umas 11h30
- Fomos no estádio do Giants no AT&T Park para um evento chamado Discovery Day. Eu tinha pesquisado antes e o ingresso era gratuito.
- Ficamos algumas horas lá, fomos na lojinha do Giants e depois fomos para a Ghirardelli tomar sorvete.... já no final do dia.

- Voltamos para o hotel... e ainda fomos para a piscina.. uhu!

Day 3: 12 de Novembro
- Após o café da manhã, ficamos um pouco no hotel descansando... até umas 10h..
- Fomos até o City Hall e andamos lá por perto. Fomos no Walgreens para comprarmos snacks.
- Almoçamos num lugar muito bacana chamado Ananda Fuara: https://www.google.ca/maps/place/Ananda+Fuara/@37.7785786,-122.4151576,18.5z/data=!4m5!3m4!1s0x8085809c781ca689:0x40f9fed0d13b208f!8m2!3d37.7778987!4d-122.4162655?hl=en
- Encontramos minha amiga novamente para vermos Aladdin no SHN Orpheum Theatre
- O centro de SF não é muito bonito..
- A peça durou 2h e meia.. e a Amanda estava cansada, mas mesmo assim a convenci de irmos ver a Golden Gate...
- Foi um passeio bem rápido. Eu já havia atravessado a ponte de bicicleta e passeado do outro lado... que é bem bacana... porém a Amanda não se empolgou muito em atravessar.
- De lá voltamos para o hotel, porém não fomos na piscina, pois estava bem frio... Amanda estava bem cansada e manhosa...


Day 4: 13 de Novembro
- Saímos logo depois do café da manhã para irmos ao Pier 33. Precisávamos estar lá umas 9h para pegarmos a balsa para Alcatraz.
- Amanda estava bem empolgada com o que eu tinha dito para ela... e eu já tinha comprado os tickets online.
- Foi um passeio bem interessante, porém a Amanda ficou cansada de tanto andar. Acho que ficamos lá quase 3 horas. O almoço foi num restaurante perto do Pier e comemos Fish & Chips..
- Depois começou a chover e voltamos para o hotel.
- Brincamos de travesseiro, pular na cama.. e depois pedimos comida.


Day 5: 14 de Novembro
- Após o café fomos ao Pier 39 para o Aquarium. Também já tinha comprado os tickets online.
- O Aquarium é bom, porém o de Toronto é maior e em minha opinião, melhor.
- Acho que ficamos 1h e meia lá dentro...
- Depois ficamos andando pelo Pier 39, vimos os Sea Lions, Amanda foi no carrossel 2x, entramos na loja de mágicas, loja de lembrancinhas...
- Convenci a Amanda a voltarmos andando para o hotel.. e subimos a Lombard St. Essa é a rua que tem um zig-zag...
- Jantamos num lugar de hamburger  perto do hotel chamado Roam Artisan Burgers muito bom: http://www.roamburgers.com/


Day 6: 15 de Novembro
 -  Após o café fomos ao Exploratorium no Pier 15. O lugar é muito bacana e tem várias coisas de ciências com as quais as crianças podem interagir.
- O Ontario Science Centre é maior e tem uma parte de corpo humano que a Amanda gosta e sentiu falta no Exploratorium.
- Saímos de lá e fomos andando de volta ao Pier 39 (é uma boa caminhada). Amanda foi no carrossel novamente...
- Paramos num lugar de lanches chamado In-N-Out que parecer ser muito popular...





Day 7: 16 de Novembro
- O plano era no museu da família Walt Disney... porém acordei com tendinite no tendão de aquiles, estava chovendo e ficamos sem ânimo de sair.. Amanda estava cansada também..
- Ficamos no hotel mesmo vendo desenho, brincando no quarto com travesseiros, descansamos...
- Depois fomos ao mercado/farmácia andando (tem um Walgreens perto do Hotel).
- No final do dia fomos para a piscina e ficamos um bom tempo lá.



Day 8: 17 de Novembro
- Não tinha planejado nada... porém tínhamos ainda tickets para o Children's Creativity Museum e para o The Walt Disney Family Museum...
- Após o café fomos direto ao Children's Creativity Museum...
- O lugar é sensacional para crianças. Lembrou o Discovery Centre daqui de Toronto que não existe mais... Basicamente há "estações" nas quais as crianças desenvolvem alguma atividade..
- Ficamos mais de 2 horas brincando de clay (massinha) fazendo bonecos e depois aprendendo a fazer um stop motion.
- Almoçamos snack e continuamos lá até umas 15h30...  Do lado de fora tem um carrossel... e a Amanda foi 2 vezes.
- Jantamos em um restaurante italiano chamado Ristorante Parma. Um lugar pequeno, porém bem aconchegante.
- Voltamos para o hotel e arrumei as malas..

Day 9: 18 de Novembro
- Após o café terminei de arrumar as malas e fizemos o check-out. Deixamos as malas no hotel e fomos bater pernas.
- Fomos ao museu da família Walt Disney. O lugar é bem interessante, porém não muito para crianças. Amanda ainda não sabe ler... e também não tem muita paciência em ficar andando e olhando... sem muita interação.
- De lá voltamos ao Pier 39... andamos por lá (e eu tinha 2 tokens para o carrossel...).
- Andamos até o Fisherman's Wharf e fomos ver o submarino e o navio de guerra.. Amanda queria ver o navio por dentro e foi uma ótima escolha. Achei bem interessante andar por dentro do navio gigantesco.
- Andamos até a Ghirardelli (uma boa caminhada também) e tomamos sorvete.
- Voltamos andando para o hotel, pegamos as malas e fomos ao aeroporto..
- O vôo saiu no horário e chegamos em Toronto no dia 19 de Novembro pela manhã...



Outras coisinhas...

- Amanda gostou da Bay Bridge que leva a Oakland. É beeeeem "ginormous".
- Perguntei se a Amanda queria andar de cable car, mas ela disse que era parecido com o streetcar de Toronto.. e não se interessou.
- O Children's Criativity Museum fica perto de Financial District. Tentamos andar por lá, porém a Amanda já estava cansada... o Yerba Buena Gardens parece bem interessante.
- O museu da família Walt Disney fica num grande parque no "Presidio" e parece ser um ótimo lugar para picnic ou caminhada. Ah, no andar de baixo do museu tem uma maquete da casa do Walt Disney com um trenzinho... muito bacana de ver.
- A alimentação não foi muito boa... acabamos tomando um café da manhã reforçado, comendo snack de almoço e jantando melhor e mais cedo... Das vezes em que pedimos comida no hotel, usamos o site https://www.grubhub.com/lets-eat e pedimos no Fresco Pizza - Shawarma (e.g. chicken shawarma que vinha com salada, arroz e frango).
- Errei um pouco nas roupas... Pensei que daria para sair de bermuda, porém perto do Pier era mais frio..
- Andamos muito de Uber, porém notei que o GPS não é muito preciso e muitas vezes tive de colocar o endereço na mão... Minha amiga também usa o Lyft, mas não experimentei.
- Nem eu nem a Amanda gostamos muito de frutos do mar... o Fisherman's Wharf parece ser o point.

E lá se foram as férias
:-D

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Milestone: 6 anos no Canadá (um brasileiro que virou canadense)



E lá se foram 6 anos! Já é mais do que o período que passei na faculdade (que eu achava não acabar nunca).

Saímos de São Paulo rumo à Toronto com a passagem de ida somente. Ainda lembro a correria para fecharmos as malas com peso distribuído entre elas, imprimir os documentos para a imigração, fechar as caixas com as coisas que deixamos para trás, conferir inúmeras vezes os passaportes e os vôos, e repetir várias vezes para mim mesmo “se não der certo, eu volto”.

O primeiro ano definitivamente foi muito difícil e sou grato por ter passado pelas dificuldades. Elas ajudaram na adaptação e me fizeram mais forte. Os anos subsequentes também não foram fáceis, porém aos poucos as peças foram se encaixando.
Hoje sou pai, brasileiro com muito orgulho e canadense. Olho para os obstáculos do passado com certo alívio e orgulho por tê-los superado. A grande barreira do idioma, a adaptação ao clima, a distância dos amigos e da família, a busca do emprego, a casa própria, etc. agora fazem parte da história e aprendizado.

Grandes decisões sempre carregam consequências.

Não abro mão das minhas raízes, da minha memória, da minha brasilidade. Falo com muito orgulho que sou brasileiro, falo com muito orgulho do meu país. Recentemente me tornei canadense e aos poucos também vou alimentando o orgulho de ser canadense. Fico feliz em poder ser os dois.

Tenho grande responsabilidade em transmitir para a minha filha Amanda os valores que me foram ensinados. Valores transcendem quaisquer barreiras geográficas.

Nesses 6 anos muita coisa mudou. Eu mudei. Acho que a desaceleração da rotina do dia-a-dia permitiu que eu fizesse um auto-conhecimento. Sinto que aos poucos fui me desapegando ao consumismo (claro que ainda compro coisas, mas em menor escala), dando mais valor ao tempo pessoal do que na carreira, valorizado minha qualidade de vida, e conhecendo meu lado emocional.

Hoje qualidade de vida significa segurança, comodidade, tempo livre, viver mais simples.

Nos últimos 3 anos a mudança foi ainda maior com a chegada da Amanda. Aprendi a ser pai. Pessoalmente acho que sou um bom pai e sinto que é o melhor de mim. Não sou perfeito e sei que erro como pai também. Enquanto os acertos são maiores que os erros, ou enquanto os erros se transformam em aprendizado, considero um sinal positivo.

Nos últimos 2 anos tive de aprender a conviver ou superar a depressão. Sim, ela veio e foram algumas batalhas. É ilógico.

A vida virou rotina. Trabalho durante a semana, tenho ótimas perspectivas na carreira, aguardo o final de semana para aproveitar o tempo com a Amanda ou passear ou fazer as tarefas de casa ou compras, às vezes preciso resolver questões de banco ou operadora de TV/Internet, às vezes conto piada em inglês mesmo, às vezes fico sem entender uma piada, às vezes preciso reclamar, procuro fazer exercícios, procuro controlar a alimentação e peso, às vezes viajo, às vezes tiro fotos, às vezes fico doente e assim por diante. Seria diferente no Brasil?

Se alguém perguntar quando eu volto para o Brasil, ainda não saberei responder.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Alô, miau, testando, 1, 2, 3...

Finalmente!
Descobri a senha do meu dono. A casa vai cair!
Quem mandou deixar o computador ligado de madrugada? Tá lá dormindo, roncando e achando que eu ia ficar lá no pé dele a noite toda... ahahahha
Meu, digitar nessas teclas minúsculas não é fácil.. mesmo para um ser evoluído como eu
Ah, esses humanos... precisam complicar mesmo né?

Cansei! Vou desabafar... e vai que alguém em algum lugar no mundo pega o recado
Já faz um tempo que descobriram que nós conseguimos nos comunicar... Alguém descobriu o diário de um colega por aí e resolveu fazer piadinha, mas o assunto é sério

Olha só: http://www.oversodoinverso.com.br/diario-de-um-cao-x-diario-de-um-gato/

Aqui na minha casa não é muito diferente...

Todo o santo dia logo pela manhã, quando estou pegando no sono... toca o despertador (maldito) e meu dono vira de um lado e de outro e quase me derruba. Ai que ódio! Outro dia fingi que estava caindo só para fincar as garras na perna dele. Aprendeu? Claro que não!

Daí ele enrola um pouco como de costume e vai acordar a A-M-A-N-D-A (isso, guardem esse nome). De vez em quando rola um "Bom Dia Gia". Eu disse "de vez em quando". Esqueceu a boa educação?

A pirralha dorme prá caramba! Como consegue? Dorme a noite toda e vira, desvira, tosse, chupa o dedo e não acorda! Melhor assim... pois a casa fica tranquila para eu aprontar de noite. Depois conto mais um pouco sobre o que eu faço na madruga.

Meu dono vai esquentar lavar a escova de dentes e molhar uns algodões para passar no rosto da A-M-A-N-D-A e fazer o ritual da manhã. O cara não cansa! Todos os dias a mesma coisa.

Tem vezes que eu quero chamar a atenção e tento passar na frente dele para ver se ele tropeça. Nas primeiras vezes me dei mal e levei um chute de leve no rim. Agora pego distância e vou até a porta de entrada e saio correndo mirando a perna. O cara pensa que estou brincando e acabo batendo na persiana sem querer. Será que ele não percebe que é de propósito? Bem, qualquer dia ele cai no chão.

Depois volta para esquentar a mamadeira.

Aí é batata. Pega as roupas e vai tomar banho. Nesse momento preciso ficar esperta, pois se estou com vontade de fazer um xixi da manhã, preciso entrar no banheiro antes, caso contrário é porta na cara e eu fico com a bexiga explodindo.

Depois disso é aquele corre-corre até que todos saem de casa. Ufa, que alívio! A casa só minha. Bem que poderia ter um gatinho para dar uns amassos ahahahaha. Se bem que eu só me apaixonei uma vez quando eu era uma gatinha bebê... daí perdi o interesse.

Tenho sono leve e durante o dia tiro uns cochilos, mas a saída de ar fica ligando e desligando e aí é que eu não durmo. Caceta viu!

Ah, tem vezes que de manhã meu dono abre a porta da varanda. Frio da p&$a! Fico lá firme e forte para mostrar que sou macho! Ops, sou fêmea, mas aguento firme. Sabe como é... fico enchendo o saco para ir lá fora tomar um ar fresco e coçar minhas costas, daí quando vem o vento gelado não posso desistir... e preciso ficar pelo menos uns 2 minutos, certo?

Opa... deixa eu parar por aqui, pois ouvi um barulho

fui

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Milestone: 5 anos no Canadá


Convido você a parar por alguns minutos e pensar na quantidade de coisas que fazemos ou deixamos de fazer em 5 anos. Esse é o exercício que fiz para escrever esse post e vou tentar resumir o máximo possível.

Por exemplo, em 5 anos eu me formei na faculdade e fiz muitas amizades e aprendi uma coisa ou outra (hehehe). Em 5 anos dá para subir 1 ou 2 posições na carreira (não a minha). Em 5 anos uma criança já começa a se aventurar nos livros.

Desnecessário dizer o que aconteceu há 5 anos em relação a mudança para o Canadá, pois provavelmente se encontra em diversos posts. Talvez seja mais relevante tentar descrever o que eu observo quando olho para tras e tento ver meus passos no horizonte de 5 anos.

Ano I:ADAPTAÇÃO

Era o meio do primeiro Inverno, alugamos um quarto, colocamos todas as nossas malas e tudo parecia “mágico”. Sem carro, sem emprego, sem muitos pertences pessoais. Tudo estava indo de acordo com o plano (ótimo para mim).
Acertei em querer quebrar o sentimento de “turista” e criar uma rotina para mim. Isso me ajudou muito na adaptação e as aulas de inglês foram muito úteis também.
Muita documentação para acertar.
Busca de emprego praticamente do zero. Muito difícil por conta da língua e menos por conta da bagagem profissional que eu trazia e que me dava confiança em querer continuar na mesma área de atuação.
Primeiro emprego me deu uma impressão distorcida do ambiente de trabalho que eu imaginava, mas acabou sendo um aprendizado.
Mudança para um apartamento (aluguel) e a boa localização ajudou muito na adaptação também.
Conhecemos várias pessoas e muitas delas com histórias parecidas.
Primeiras visitas para podermos mostrar que estamos estabelecidos.
Algumas pessoas ajudam e outras não. E isso inclui brasileiros ou não. Isso é a vida. Bobagem pensar que brasileiro sempre ajuda brasileiro numa situação dessa.
Longos meses tentando conseguir um emprego, fazendo várias entrevistas e estudando mais inglês.
Visita ao Brasil foi boa para sabermos que daqui em diante sempre será corrido. Acabei fazendo muitas comparações desnecessárias.
Lugares, contas para pagar, comidas, distância fazem parte da adaptação.

Ano II: ESTABELECIMENTO PROFISSIONAL

Emprego novo na minha área de conforto. Ótima oportunidade para desenvolver e botar pra quebrar.
Vários planos para estudar, aprender, crescer.
Amizades vão mudando aos poucos.
Crescimento pessoal. Aprendi que sou responsável pelas decisões que tomo.
Mudança novamente. Agora para a casa própria.
Conhecemos a famosa “mortgage” (financiamento imobiliário) e com ela novas contas para pagar.
É bom viajar e é bom gastar, mas já não tem muita coisa com que gastar. Sinal de que a mentalidade começa a mudar.
Já temos alguns lugares favoritos para ir, restaurantes, tipo de comida.

Ano III: GRAVIDEZ

Todo foco na gravidez. Mês a mês.
Muita coisa para aprender e aos poucos meu lado “pai” vai sendo moldado. De repente ele sempre esteve comigo.
Coincidentemente havia mais 2 grávidas na família e a gente acompanha a evolução a distância.
Primeiro vem o João Victor, depois a Mariana e então chega o momento da Amanda. Parto normal.
Toda a prioridade muda. Carreira, novos cursos, video game, Blog, Krav Maga, viagens, etc. ficam em segundo, terceiro planos.
Sinto financeiramente abalado com as contas que tem pela frente. Day Care em Downtown é concorrido e caro. Mortgage, contas da casa. Preciso de um aumento.
A empresa é comprada por outra empresa e sinto o momento de instabilidade. Hora de procurar outro lugar. Tenho uma filha para criar.
A oportunidade não demora muito a aparecer. Vou bem na entrevista e decido mudar de indústria. Mesma área, mais ou menos as mesmas responsabilidades. Salário melhor apesar de não ser Full Time. Encaro.
Havia chances de ser efetivado em 2 anos e daí “mamar” no governo.

Ano IV: REORGANIZANDO A VIDA

Engano meu.
Empresa pública não é para mim. Projetos sem prazo e sem preocupação com gastos me incomodam.
Tentei. Engoli muitos sapos.
Descobri que o estilo de liderança é muito significativo para minha produtividade.
Em casa tinha a alegria de re-encontrar minha filha e ao mesmo tempo toda a responsabilidade por trás.
Sentia que algo não ia bem comigo, com minha cabeça. Meu ânimo já tinha sumido.
Tinha saudades da família e amigos. Queria poder conversar.
Comecei a fazer terapia.
Foi ótimo. Entendi um pouco mais de mim mesmo.
Estava caminhando para a “perda do eu”. Precisava parar um pouco e de certa forma ser mais egoísta.
Precisava mesmo era mudar de emprego. Produzir.
Demorou, mas apareceu a oportunidade no final do ano. Bem quando meu contrato de 1 ano tinha sido renovado.
O final do ano foi um dos mais complicados. Amanda doente com um vírus RSV, internada por 10 dias. Muito muito frio.
Chorei quando precisou colocar soro na veia. Alguns dias fiquei como um zumbi, acordando de madrugada para acompanhar a enfermeira. Media o nível de oxigênio dia e noite.
Mudei meu conceito sobre o sistema de saúde por aqui. Você pode ter de esperar atendimento por horas e até mesmo ficar doente enquanto espera, mas nunca, nunca há negligência por falta de informação ou atendimento correto. Claro, algumas coisas ainda são questionáveis.

Ano V: CHECKPOINT

Novo emprego finalmente. De volta ao setor bancário.
Mais trabalho pela frente, salário menor, mais feliz.
O estilo de liderança faz muita diferença.
Altos e baixos na família.
Amanda melhor e crescendo rápido.
Ainda tudo gira em torno dela. Agora é escola. Ela se destaca. As professoras acham que ela é muito inteligente. Fico orgulhoso.
Ainda faço poucas coisas para mim. Voltei a pensar no meu projeto pessoal. Isso me deu um impulso para querer aprender mais e fazer acontecer.
Hora de começar a pensar no futuro da Amanda. Mudar de casa por conta de melhores escolas? Talvez.
Sinto-me em casa no Canadá.
Muito mais confortável com a língua, costumes, hábitos. Sei que mudei o modo de agir, pensar, ser. Acho que a vida é mais simples e com mais qualidade. Gasto melhor e me preocupo com coisas diferentes.
O clima é uma pequena preocupação.
Sinto que há mais opções de lazer acessíveis a todos. Mesmo no frio.
Se no primeiro ano começamos a sonhar em inglês, hoje eu digo que consigo até dar risada em inglês.
Não acredito em generalizações. Não há esteriótipos de brasileiros e de canadenses.
Algumas pessoas me pedem dicas. Não consigo dar muitas não. Há diferentes caminhos em um único lugar. Cada um acaba traçando o seu.


Daqui pra frente eu não sei. Minha zona de conforto também é aqui.

domingo, 9 de março de 2014

Cidadania Canadense


Não nasci no Canadá, mas em breve espero me tornar um cidadão canadense e carregar a dupla cidadania: brasileira e canadense.

Funciona assim (no meu caso):
Aplicamos para processo de imigração canadense pela categoria "Skilled Worker" (mão-de-obra qualificada) e com isso conseguimos o visto de permanência chamado "PR" (permanent resident).

O PR tem validade de 5 anos e pode ser renovado. Além do período de "landing" (pisar em terras canadenses), temos de comprovar pelo menos 3 anos de residência no Canadá. O que faz sentido para mim, pois depois de toda a papelada e demora para obter o visto de imigrante, espera-se que a pessoa venha para o Canadá, certo?

Bom, após 3 anos no Canadá (descontando todo o tempo passado fora do país tanto a trabalho quanto a lazer), podemos aplicar para o processo de cidadania.

A documentação necessária e o tempo são bem mais razoáveis...

Está tudo bem explicado no site: http://www.cic.gc.ca/english/citizenship/become.asp

Mandamos os formulários, comprovante de pagamento da taxa, várias cópias, etc. e esperamos...

Assim que eles recebem a papelada eles mandam uma carta com a apostila para estudar.

No meu caso ainda aconteceu o seguinte: recebi uma carta falando que eles estavam analisando a documentação e que eu precisava enviar mais documentos. Basicamente eu pedi para colocar meu nome completo no certificado "ROBINSON YAMAGUTI MATSUKUMA", mas eu não tenho nenhum documento canadense (carteira de motorista, PR, cartão de saúde) válido com o meu nome completo. Isso se deve a uma limitação no número de caracteres para solicitar o PR. Liguei na central e expliquei a situação... o cara falou que eu tinha duas opções: truncar meu nome no certificado para ficar igual aos documentos canadenses ou entrar com uma ação judicial pedindo para alterar meu nome legalmente (detalhe, teria o mesmo problema de truncamento visto que o sistema ainda seria o mesmo... mas quem disse que o cara entendeu?). Ainda tentei convencer de que eu tinha documentos brasileiros comprovando e que o problema foi técnico (limitação do campo Nome)... não adiantou. A solução foi mandar uma carta de próprio punho pedindo para retificar a solicitação e abreviar meu nome. Vamos ver...

O próximo passo é fazer uma prova de conhecimentos gerais (geografia, história e política) canadense e uma entrevista em inglês (ou francês). A expectativa é de que o processo leve um pouco mais de 1 ano. Para nossa surpresa recebemos a cartinha informando a data e local da prova em menos de 1 ano... e quem disse que a gente tinha lido a apostila? Pois é...   tivemos menos de 2 semanas para estudar.

Quem me conhece sabe que sou péssimo em geografia, história... e muito melhor com números (não com datas históricas).

Aqui vai a lista de sites com simulados para estudar:
http://www.apnatoronto.com/
http://www.v-soul.com/
http://www.yourlibrary.ca/citizenship/
http://www.toptipsclub.com/Citizenship_test_index.asp
http://www.citizenshiptest-canada.com/
http://citizenshipcounts.ca/quiz
https://itunes.apple.com/ca/app/canadian-citizenship-test/id531010394?mt=8

Amanhã é o dia da prova e entrevista. Estou um pouco nervoso apesar de quem já fez ter dito que é bem tranquila. Serão 20 questões de múltipla escolha (4 alternativas).

Engraçado é que antes de virmos para o Canadá a gente já sabia do processo de cidadania e tínhamos isso como objetivo. E naquela época meu temor era mais com a entrevista em inglês com o oficial da imigração, pois eu achava que estudar estava mais sob meu controle. Hoje já penso diferente... apesar do nervosismo, o inglês não vai ser o mesmo monstro de antes.

Se passar, a gente recebe uma convocação (acho que demora 1 mês) para o juramento de lealdade à rainha e compromisso como cidadão canadense. E daí serei um novo canadense... assim como a Amanda.

A relação Brasil-Canadá permite a dupla cidadania. Isso é muito bom, pois não sei como seria se tivesse de escolher entre um ou outro...
Sei que os chineses que imigram para cá precisam escolher e uma das dificuldades é que toda vez quando eles querem viajar para a China é necessário retirar o visto de turista...

bora estudar

[]s

sábado, 25 de janeiro de 2014

Parabéns São Paulo


Sou PAULISTANO e filho da cidade de concreto. Nasci no Hospital e Maternidade 9 de Julho. Cresci no asfalto quente dos dias de verão, em meio ao trânsito, poluição sonora, entre prédios cobrindo o céu muitas vezes acinzentado e algumas vezes azulado, em meio a chuvas e alagamentos, comendo comida de rua e passeando em shopping centers.

Amo a cidade de São Paulo e sempre será minha cidade natal.

Encho o peito quando alguém aqui me pergunta sobre São Paulo e falo com muito orgulho que nasci, cresci, estudei, trabalhei em São Paulo e que apesar de ter vivido por mais de 30 anos na cidade eu não conheço a cidade toda. Tento montar uma imagem de cidade grande, um pouco de caos, helicópteros cortando o céu, motos entrelaçando os carros, buzina, pessoas se esbarrando, correria, percepção de cidade que não para nem por um segundo, mas para por um bom cafezinho.

Morei no bairro da Saúde e depois no Cambuci. Trabalhei em várias empresas e diferentes lugares (muitas vezes visitando clientes) o que me deu certa "fluência" em transitar por bairros que até então não tinham sido tão explorados.

Se eu tivesse marcado todos os lugares por onde passei, comi, me diverti, fui assaltado, etc com um "O ROBINSON ESTEVE AQUI" talvez eu escutaria algumas pessoas falando "pô Robinson, você deveria ir em tal lugar, você não conhece o melhor de São Paulo" e isso é ótimo!

Memórias, memórias e memórias. Enquanto a cidade envelhecia e se renovava eu também seguia o meu caminho. Crescemos juntos. São Paulo determinou meu ritmo e eu quis correr junto.

Parabéns São Paulo! A gente se vê!

[]s